quinta-feira, 1 de maio de 2014

POR TRABALHO DECENTE E SAUDÁVEL PARA TODOS

O primeiro de maio em que celebramos a Festa de São José Operário, padroeiro dos trabalhadores nos unimos as lutas,
anseios e conquistas daqueles que engrandecem a Nação com sua labor digna, honesta e solidária. Recordamos neste dia o assassinato de oito trabalhadores em Chicago em 1886, acusados de terroristas.

Era o embate pela jornada de oito horas, pelo reconhecimento da organização sindical e pela cidadania dos trabalhadores. Essas conquistas que custaram vidas e demandaram crescimento na unidade, empenho pela dignidade e reconhecimento dos direitos sociais, foram postos em cheque pela chamada globalização financeira, que homologa a hegemonia do capital sobre o trabalho, desconstruindo a estabilidade e as garantias laborais, introduzindo a precarização e terceirização do trabalho.
Voltamos aos tempos do capitalismo selvagem, que especula com o arrocho salarial, o trabalho semiescravo e forçado, e a exploração da mulher. Neste quadro mundial o Papa Bento XVI clamava na “Caritas in Veritate” por novas formas de solidariedade, e aderia abandeira do trabalho decente, que inclui não só a remuneração justa para manter uma família, mas a estabilidade e salubridade do trabalho, como via de realização e humanização da pessoa trabalhadora.
Torna-se necessário também a redução da jornada, com a repartição das ofertas de postos de trabalho, almejando o máximo de alocação da mão de obra, como o cuidado com sua reposição e valorização.
O trabalho continua sendo a chave da questão social, e junto ao povo trabalhador queremos fazer surgir a civilização do trabalho, do bem viver e conviver que possibilite a alternativa da globalização da solidariedade e da esperança. Que São José proteja, encoraje e abençoe aos nossos irmãos e irmãs trabalhadores/as. Deus seja louvado!
                    Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
                                    Bispo de Campos

MUDAR PELA ALEGRIA


Alegrai-vos! Este é o impactante convite de Jesus Ressuscitado a cada discípulo. Mais que isso, é uma intimação que o Mestre faz ao coração dos homens, que foi feito para hospedar a alegria. A humanidade procura a felicidade e sem ela não dá conta de viver. Mas, tantas vezes, busca ser feliz de modo desarvorado, comprometendo situações sociais e humanas. É importante compreender que a verdadeira felicidade é o bem supremo. Por isso, o Mestre Ressuscitado, vencedor da morte, faz o convite para que todos se alegrem diante dos dons e bênçãos, tesouro inesgotável do amor de Deus.
O tempo pascal é, pois, na força pedagógica da liturgia da Igreja Católica, a oportunidade rica de exercitar o coração na procura do bem supremo, a verdadeira felicidade. Essa tarefa deve ser vivida fixando o olhar no Ressuscitado, a vitória perfeita e completa na história da humanidade, vida que venceu a morte, amor que venceu o ódio. Há de se ter presente o que Aristóteles sublinhava quanto às diferentes concepções de felicidade, identificada com a conquista de bens diversos, desde virtudes, sabedoria prática, sabedoria filosófica, acompanhada ou não por prazer, ou como posse de bens matérias. Nem mesmo ele, admirável nas raízes da sabedoria filosófica, conseguiu articular uma conclusão que pudesse fazer entender o significado da felicidade.
Santo Agostinho a definia como a posse do verdadeiro absoluto, isto é, a posse de Deus, fonte de todas as outras felicidades. Nesta mesma direção, São Boaventura a compreende como ponto final do itinerário que leva a alma ao Criador. Essas reflexões concluem que a felicidade não é, então, a conquista de patrimônios nem de poder, mas conhecimento, amor e posse de Deus. Assim, ela não é um simples estado de alma, mas algo recebido de fora, que se relaciona a um bem maior e verdadeiro.
Essas ponderações apontam para o enorme desafio existencial vivido atualmente, quando a experiência da felicidade é confundida com a conquista de bens materiais e prazeres efêmeros. Um entendimento inadequado que sustenta a dinâmica perversa de se buscar conquistas a qualquer preço. Deste modo, cresce o egoísmo, a mesquinhez, e a humanidade se distancia da vivência da solidariedade, o que acaba com qualquer perspectiva de alegria verdadeira. A solidariedade é o que pode curar os males da convivência humana, tão deteriorada em um tempo de tantas possibilidades. A razão crucial dessa crise, indiscutivelmente, está na identificação da felicidade como acúmulo, sem limites, de bens materiais e poder, o que resulta na efemeridade dos bens da criação e no distanciamento do Criador.
São vários os entendimentos a respeito da felicidade no pensamento filosófico. Em comum, a anuência de que ela não é um bem em si mesmo, já que para ser felicidade é indispensável o conhecimento dos bens que são a sua fonte. Assim, pode-se afirmar que sua conquista, com simplicidade, é a experiência do encontro com Deus, o bem supremo, tão próximo de nós. Sua experiência existencial tornou-se possível pela encarnação do Verbo, Jesus Cristo, o Filho de Deus que morre e ressuscita para resgate e salvação da humanidade. Ele é o Salvador do mundo, o bem supremo, próximo de cada pessoa.
A conquista da felicidade é o encontro pessoal com Deus, que produz a efusão da alegria. Trata-se de uma felicidade que não é passageira ou periódica e tem a força que possibilita grandes transformações. É exemplar para a história da humanidade a força da alegria produzindo a radical mudança dos discípulos de Jesus. A presença amorosa de Cristo Ressuscitado faz dos discípulos ignorantes homens sábios. O medo cede lugar à audácia amorosa. Essa alegria experimentada é fruto da ação do Espírito de Deus, que tira Jesus da morte, vencida definitivamente pela vida. Uma felicidade autêntica e duradoura, fonte da força dos discípulos de Jesus, origem da sabedoria necessária para transformar tudo o que precisa ser mudado, pela alegria.Dom 
               Walmor Oliveira de Azevedo
               Arcebispo de Belo Horizonte

MISSA CELEBRA SÃO JOSÉ E O DIA DO TRABALHO

Hoje, a Igreja recorda  a memória de São José. Na homilia, dom Odilo falou da vocação do santo que dedicou-se aos trabalhos de carpintaria e ensinou a Jesus o ofício mais comum daquela época. “Nós da Igreja olhamos para o exemplo
São José, neste dia do trabalhador. O carpinteiro de Nazaré foi um trabalhador comum. Trabalhava como pai, esposo, chefe de família, para buscar sustento e também em favor da comunidade, colocando seus talentos a serviço do que fosse preciso”, disse. O cardeal lembrou, ainda, que “Jesus trabalhou também e valorizou o trabalho humano”.
No dia dedicado aos trabalhadores, a CNBB enviou mensagem por ocasião da data. No texto, os bispos do Brasil demonstram apoio e solidariedade aos profissionais que lutam pelo reconhecimentos de seus direitos trabalhistas. “A todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, nossa especial e carinhosa bênção. O operário São José alcance de seu Filho, Jesus Cristo, proteção e graça para todos”.

Acompanhe a cobertura da 52ª AG nas redes sociais:

BISPOS DISCUTIRÃO REFORMA POLÍTICA E CRISTÃOS LEIGOS HOJE A TARDE

No segundo dia da 52ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, a pauta envolve o tema central, “Comunidade de Comunidades: uma nova paróquia”, a questão agrária, a revisão do Missal Romano, além do tema prioritário, “Os cristãos leigos e leigas”, e debate sobre o voto consciente e cristão. Às 15 horas, o arcebispo de São Paulo (SP), cardeal Odilo Pedro Scherer, o arcebispo de Feira de Santana (BA) e presidente da Comissão Episcopal para o Texto da Questão Agrária, dom Itamar Vian, e o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação, dom Joaquim Mol, concederão entrevista coletiva à imprensa.
 Hoje, pela manhã, os bispos refletiram sobre o Estudo 104 da CNBB, "Comunidade de comunidades", "a questão agrária no Brasil" e sobre os andamentos das atividades e avanços na revisão do Missal Romano.
Em sintonia com o debate sobre o voto consciente e cristão, o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação, dom Joaquim Mol, falará, no período da tarde, sobre a Coalizão pela Reforma Política e Eleições Limpas, iniciativa que busca acabar com brechas legislativas que contribuem com práticas de corrupção. A coalizão é composta por mais de 90 entidades. Outros projetos na área política serão tratados.
A elaboração do texto sobre o tema prioritário, “Os cristãos leigos e leigas”, que trata da atuação dos cristãos na vida da Igreja e do mundo e que será discutida também na parte da tarde, ficou sob a responsabilidade da Comissão Episcopal para o Laicato, presidida pelo bispo de Caçador (SC), dom Severino Clasen. Nesta quinta-feira, haverá apresentação do estudo preparado pela comissão aos bispos para avaliação e sugestões.
Os bispos também participarão da entrega dos Prêmios de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que acontecerá a partir das 20h45, no auditório Padre Orlando Gambi, na sede da TV Aparecida. A cerimônia será transmitida ao vivo pelas TVs de inspiração católica e pela Rede Católica de Rádio (RCR).

quarta-feira, 30 de abril de 2014

UM SOPRO ALENTADOR

Durante cinquenta dias a comunidade de fé canta e celebra a vitória de Cristo sobre a morte. Paulo de Tarso, escrevendo sobre esse evento à comunidade de Corinto, recorda aspectos fundamentais de sua pregação, quando lá esteve; ou seja, que “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas e, em seguida, aos doze” (1Cor 15, 3-5); e conclui exclamando: “Ó morte, onde está tua vitória?” (1Cor 15, 55).

A Igreja, ao longo dos séculos, em meio a luzes e sombras, continua celebrando esse evento. Sua fé está fundamentada, sobretudo, no testemunho daqueles homens e mulheres – discípulos da primeira hora – que puderam ver e tocar o Senhor da vida e da morte.
Nós, homens e mulheres do século XXI, participantes de tantas realizações e conquistas da ciência e da técnica, temos a convicção de que podemos muito, mas não podemos tudo. Podemos extrapolar as fronteiras da terra, podemos manipular a vida, destruir a natureza-ambiente, construir satélites capazes de estar ao lado das estrelas, levando e colhendo informações ao redor de todo o planeta... Uma coisa, porém, não podemos: vencer a morte! Podemos favorecer e prolongar a vida, mas não dominá-la.
Esquecemo-nos, por vezes, de nossa condição radical: somos pó, somos barro! Com uma distinção: este pó, este barro vive. Há um ‘sopro’ no seu íntimo que o faz viver. Esse ‘sopro’ é expressão da inciativa de amor de Alguém que nos desejou e nos quis!
Após os fatos trágicos de Jerusalém, os discípulos de Jesus, num primeiro instante, sentiram-se abandonados, abatidos, impotentes. O poder do cálculo pensa poder controlar e manipular tudo. O poder do amor se expressa de modo inusitado: é capaz de perceber na ausência uma presença mais forte que a morte! Vê que aquilo que o cálculo, devido ao seu modo característico de proceder, não pode compreender, Deus escolheu para expressar seu amor infinito para com tudo e todos.
No seio da comunidade reunida, o Senhor se manifesta e sopra sobre eles (Jo, 20, 22). Sem o sopro do Ressuscitado a comunidade é pó, barro sem vida incapaz de testemunhar esperança e vida. Sem o sopro do Ressuscitado, a comunidade pode expressar convicções, segurança, firmeza; mas não é capaz de abrir-se à realidade sempre nova da Vida que se oferece generosa e gratuitamente. Sem o sopro do Ressuscitado, corre-se o risco de se ficar preso a costumes e tradicionalismos que não permitem o irromper do sempre novo proporcionado pela experiência do Encontro com o Ressuscitado. Sem o sopro do Ressuscitado, pode-se cair na satisfação de uma religião estática; de uma religião que controla e manipula todo comportamento.
O sopro do Ressuscitado faz novas todas as coisas. Faz os surdos ouvirem, os cegos verem, os mudos falarem!
Não estaria a nossa sociedade se ressentindo de um vazio que ninguém pode preencher? De uma escuridão, onde nada mais parece brilhar? De um medo que faz com que sempre mais fechemos nossas portas? De um sopro capaz de propiciar alento a nossas angústias e incertezas, desejos e sonhos?

MARIA, UMA MULHER COM PASSOS DECIDIDOS


O mês de maio, trás como proposta a contemplação da Maria a Mãe de Jesus como modelo de fé e seguimento do Cristo. Toda sua vida foi uma peregrinação na esperança acreditando firmemente nas promessas de Deus. Torna-se exemplo de mulher que quer com passo decidido alcançar sua vocação humana e cristã, trilhando o caminho da entrega, do serviço e da total disponibilidade.

De veras como apresenta o Papa Paulo Vi na Encíclica Marialis Cultus, Maria é modelo de mulher forte, profetisa de Israel, que não vacila em anunciar no Magnificat a ação do Deus fiel que exalta os humildes e os pobres e deixa os ricos de mãos vazias. Ela não se submete aos clichês do seu tempo que obrigavam a mulher a passividade e ao conformismo, pelo contrário, no seu sim faz acontecer um processo de libertação continua a serviço do Reino de Deus.
Ela vivenciou profundamente no acompanhamento de seu Filho, que a verdadeira realeza e senhorio consiste em praticar com fidelidade a vontade de Deus com humildade e colocando-se sempre como Jesus cingida para abraçar a bacia e a toalha, símbolos da doação e trabalho para o resgate dos irmãos. Um culto e uma espiritualidade mariana que não nos leva a conversão e a missão na comunidade, é certamente falsa e inautêntica uma vez que se afasta do caminho escolhido por Nossa Senhora para cumprir sua vocação.
A oração de Maria, cheia de silêncio amoroso e compassivo a aproximava do sofrimento e da dor de seus filhos prediletos, os pobres e necessitados como em Caná da Galiléia. Estar na Escola de Maria, é tornar-se cada vez mais desapegado, pequeno e humilde, indicando sempre a observância e a escuta da Palavra do seu Filho. Que aprendamos com Ela a estar ao pé da Cruz, oferecendo como sacrifício agradável a Deus, nossos projetos, desejos, e sentimentos, aceitando sempre o desígnio divino em nossa vida e missão. Que sejamos como Ela como afirmava São João Crisóstomo, barquinhos a vela dirigidos e conduzidos pelo vento impetuoso do Espirito Santo. Que neste mês consigamos crescer na mística de ser e viver como Maria, a aventura da fé, com ousadia e criatividade evangélicas, encarnando a Boa Nova do Ressuscitado em todos os ambientes e lugares. Deus seja louvado!

PAPA FRANCISCO NOMEIA BISPOS AUXILIARES PARA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO

O papa Francisco nomeou hoje, 30, dois novos bispos auxiliares para a arquidiocese de São Paulo (SP), sendo eles, padre Carlos Lema Garcia e padre José Roberto Fortes Palau (à direita). Atualmente, padre Carlos exerce a função de diretor espiritual da prelazia do Opus Dei e Santa Cruz. Já padre José Roberto estava como pároco da paróquia Santo Agostinho, em São José dos Campos (SP).
Padre Carlos 
É natural de São Paulo, nasceu em 1956. Ingressou na prelazia do Opus Dei aos 18 anos. Foi ordenado presbítero em 02 de junho de 1985, por São João Paulo II, na Basílica de São Pedro, em Roma, juntamente com um grupo de diáconos. É graduado em Direito Civil pela Universidade de São Paulo e doutor em Teologia Dogmática, pelo Centro Acadêmico Romano da Santa Cruz. Durante sua caminhada presbiteral atuou em atividades pastorais voltadas à juventude e à família. Atualmente exerce a função de capelão do Centro Cultural Aclimação, em São Paulo. De 2004 a 2010 foi secretário da delegação da prelazia do Opus Dei.

Padre José Roberto Fortes Palau
Nascido em Jacareí (SP), em 09 de abril de 1965, padre José Roberto Fortes Palau recebeu a ordenação presbiteral 06 fevereiro de 1993. É mestre em Teologia da Espiritualidade pela Pontifícia Universidade de Teresianum, em Roma e doutorado também em Teologia pela PUC-Rio. Foi reitor do Seminário de Teologia da diocese de São José dos Campos de 2000 a 2009 e professor do Instituto Teológico Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté. Já exerceu cargos como coordenador da pastoral presbiteral, vigário geral da diocese de São José dos Campos (2005 a 2013) e pároco das paróquias Santo Agostinho e São José. Também foi diretor da Escola Diaconal no período de 2005 a 2011 e diretor e professor da Faculdade Católica de São José dos Campos de 2008 até o momento.